Biografia

foto pastorPesquisa da História de Vida do Pr. Robson realizada pelo Prof. João Fernandes de Barros durante o Curso de Pós-Graduação em Sociologia pela UEM – Universidade Estadual de Maringá, realizada no ano de 2004, quando o Pr. Robson servia a Congregação da Assembléia de Deus de Sarandi como Dirigente.

I. AVÓS

Quem são seus avós paternos?
Meus avós paternos são Antônio Francisco de Brito e Valdeci Borges de Brito são naturais do município alagoano de Palmeira dos Índios, que fica a uns 136km da capital, Maceió, situa-se no sopé da serra de Palmeira dos Índios e é banhados pelos rios Coruripe e Traipu. Os membros da família de meus avós eram agricultores cultivando alternadamente algodão, mamona, agave, cana-de-açúcar, milho e arroz. O pai de meu pai o seu Tonho Chico diziam ser descendente de um caxeiro viajante, rico, diziam ser gringo, talvez galego, polígamo, por isso o meu bisavô, avô de meu pai foi uma espécie de filho bastardo, filho de mãe solteira – algo muito comum no nordeste no início do século XX. Minha avó, mãe de meu pai, dona Valdeci, pela sua fisionomia era uma autêntica cafusa, provavelmente, suas origens são uma mistura dos índios xucurus-cairiris que povoaram a região, com os africanos.

O senhor sabe algum detalhe dessa origem?
Recentemente pesquisei superficialmente essas origens e descobri que esses indígenas se estabeleceram, no município de Palmeira dos Índios, no meio de denso palmeiral, em meados do século XVII. A cidade foi fundada no final do século XVIII. Na década de 1840, uma disputa política brutal entre famílias, causa de dezenas de assassinatos, provocou o êxodo que praticamente esvaziou a vila. Anexada então a Anadia, Palmeira dos Índios só recuperou a autonomia anos mais tarde. Um fato interessante desse município é que entre 1928 e 1930 a prefeitura foi ocupada pelo escritor Graciliano Ramos, que incluiu fatos do cotidiano da cidade em seu primeiro romance, Caetés (1933).

E o que o senhor sabe sobre seus avós maternos?
Meu avô materno era do município mineiro de Divinópolis e minha avó do município de Emídia de Campos, também no Estado de Minas Gerais. Divinópolis fica a uma distância de mais ou menos 124km de Belo Horizonte, localiza-se na serra do Espinhaço, na região oeste do estado de Minas Gerais. O planalto é banhado pelos rios Pará e Itapecerica, da bacia do São Francisco. O pai de minha mãe chamava-se Antônio Victor da Silva, não sei as origens dele, só me contaram que era moreno do cabelo bem liso escorrido, possivelmente mameluco, alcoólatra e viciado em jogo, era um homem extremamente violento; e minha dizia avó, mãe de minha mãe, que ele não gostava de trabalhar. Minha avó chamava-se Geralda Simão, casou com 14 anos, filha de português, saiu de Minas em 1951, fugindo do esposo que a espancava. Minha avó Geralda era filha de portugueses com alguma ascendência indígena, lembro-me de minha bisavó bem clara de olhos azuis. Um fato curioso que contavam é que minha penta vó fora pega a laço no mato, aos 12 anos pelo meu penta vô (português), ela era indígena, não sabemos de que tribo, mas sabemos que seu marido a “domesticou” e depois se casou, no padre, com ela.

Como era a Religião dos avós paternos?
Meus avós paternos Antônio Francisco de Brito e Valdeci Borges de Brito eram sincréticos – misturavam a prática religiosa católica com o candomblé; com ênfase para o camdomblé; minha avó tinha uma propensão para a mediunidade. Meu avô materno Antônio Victor da Silva dizia ser católico, mas de cristão não tinha nada, pois era alcoólatra, jogador e extremamente violento; e minha avó Geralda era católica nominal, mas, sua mãe (minha bisavó Aurora) era rezadeira e uma espécie de curandeira e benzedora.

Como seus avós paternos se conheceram?
Não sei, possivelmente foi no ambiente do trabalho rural.

Como se deu a migração de seus avós paternos para o último local de residência?
Sonhando melhorar de vida, meu avô paterno Antonio Francisco foi trabalhar em Recife, no de 1945. Foi trabalhar em uma fábrica de tecidos e meu pai ficou morando com meus avôs, como os pais deles foram morar em um cortiço no Recife, tiveram dificuldade de levar meu pai com els. Então, deixaram meu pai com os avós dele. Assim, meu pai – José Borges de Brito – acabou sendo criado pelos meus bisavós (o que no nordeste era algo comum, no caso do filho mais velho). O nome desses meus bisavós era João Silvino Borges da Silva – filho de índio e de escrava – chamado de João Dunda, que inclusive falava um pouco o idioma dos xucurus-cairiris e Maria Santana da Silva. Eles criaram meu pai até a idade de 12 anos.

Mas voltando a migração, meus bisavós (avôs de meu pai) em meados de 1949 foram atraídos para o sul. Vieram de navio do porto de Maceió para o porto de Santos. Meus tios-avós (cinco irmãos de meu avô e meus bisavós) ficaram pouco tempo na cidade de Santos. Como alguns jovens eram encaminhados para o exército, com receio de serem convocados com os praças para irem para as forças expedicionárias lutarem na Europa, por ocasião do final da Segunda Guerra Mundial. Segundo ele, na época havia um comentário forte de que quem se alistasse iria para guerra, e de fato alguns jovens daquela região que foram aquartelados ali acabaram foram inseridos na FEB. Em função disso, resolveram não se alistarem e fugiram para o interior do estado de São Paulo, especialmente, para a região da cidade de Lins, localizada no noroeste paulista, se não me engano está localizada a uns 450 kilometros da Capital do Estado, situa-se ao norte com a cidade de São José do Rio Preto; a leste com Bauru; a oeste com Araçatuba; ao sul com Marília e a Sudoeste com Tupã. Naquela região, meus bisavós, meus tios-avós e meus que era criado por eles, começaram a trabalhar na fazenda de café dos Meiras.

Eles comentaram como era o regime de trabalho nessas fazendas?
Pelo que meu pai comenta, eles trabalhavam de sol a sol. Os trabalhadores da fazenda eram sutilmente impedidos de sair da fazenda. Nunca conseguiam pagar a conta da “venda”, que era de propriedade do dono da terra. No linguajar simples do povo, diziam que o dono da propriedade era comunista. Mas, hoje, meu analisa que apesar de usar sempre um lenço vermelho ao pescoço explorava muito o povo que acabava trabalhando a troco da comida, de socialista ele não tinha nada.

Seus bisavós e seu pai ficaram muito tempo nesse lugar?
Não, como não tinha prática na cultura do café, mas sim, estavam mais habituados às culturas produzidas em Alagoas – algodão, mamona, cana-de-açúcar, milho, arroz e cizal, nas quais, trabalharam no estado de Alagoas foram para um lugar chamado Villa Sales. O município de Sales está localizado na zona central do Estado de São Paulo, na alta Araraquarense, à margem direita do Rio Cervo Grande, afluente do Rio Tietê, sendo as suas terras pertencentes à Bacia Hidrográfica do Rio Tietê. Eles foram trabalhar em uma grande fazenda chamada Esplanada. Trabalharam lá durante uns três anos.

De lá, foram para onde?
De lá migraram para a zona rural da região do município de Tupã, na Alta Paulista, no oeste de São Paulo, localizada no espigão dos rios do Peixe e Feio (alguns chamam também de Aguapeí). Fixaram residência em um lugarejo muito pobre, chamado Vila Queiroz. Identificaram-se com o lugar porque havia lá muitos nordestinos. Daí então é que escreveram para o meu avô pai de meu pai, que ficara trabalhando nas tecelagens do Recife, em Pernambuco. Só daí então, quando meu pai era adolescentes é que passou a morar com seus próprios pais, pois como disse no início de nossa conversa ele fora criado pelos seus avós (meus bisavós). Como você pode perceber, meu povo era migrante mesmo: de lá foram trabalhar nas terras do município de Urupês.

E em que ano seus avós paternos vieram para o Paraná?
Em 1959, de Urupês, meus avós paternos vieram com meu pai para a cidade de Santa Isabel do Ivaí, na região do Arenito Caiuá, a cerca de 70 km de Paranavaí e a 12 km da cidade de Loanda. Meu avô comprou um pequeno sítio com a intenção de plantar a chamada lavoura branca, principalmente, para cultivar o algodão, que era a especialidade de cultivo da família.

Como seus avós maternos se conheceram?
Não sei.

Quanto aos seus avós maternos, como se deu a mudança deles para o último local de residência?
Na verdade não posso dizer da migração de meus avós maternos, mas sim somente da minha avó materna e de minha mãe, como disse inicialmente, elas fugiram do meu avô, pois o mesmo era alcoólatra, dado ao jogo e extremamente violento. A princípio, minha avó de Divinópolis – MG, foi para o município de Bom Despacho, que está localizado no Centro-Oeste de Minas Gerais entre as cidades de Nova Serrana e Luz, seguindo pela BR 262 em direção ao Triângulo Mineiro, fica a uns 140 km de Belo Horizonte. De lá as três minha bisavó, minha avó e minha mãe fugiram para Belo Horizonte, segundo minha mãe diz sofreram muito nesse lugar ao ponto de ter que em algumas ocasiões até pedir esmolas para comer.

Ficaram muito tempo em Belo Horizonte?
Não, mudaram-se para São Paulo porque se dizia que lá tinha mais empregos. Assim, minha avó como era muito rápida no trabalho braçal e cozinhava muito bem arrumou emprego na cidade de São Paulo. Trabalhava na casa de um empresário e minha bisavó cuidava da minha mãe.

E como vieram parar no Paraná?
Depois de muito trabalho, economizou dinheiro, suficiente para comprar um sitiozinho na cidade de Iguaraçu – PR, atraídas pelo comentário de que o Paraná era muito bom para se viver. Iguaraçu fica a 25 km ao norte de Maringá, e fica entre os municípios de Munhoz de Melo, Santa Fé, Flórida, Mandaguaçú e se não estou enganado de Astorga. Quando minha avó chegou a Iguaraçu já fazia uns 15 anos que os migrantes tinham começado o desmatamento, o nome “Iguaraçu”, que é indígena signifia “canoa grande”. Os primeiros que trabalharam nos desmatamentos acreditavam realmente no progresso e na esperança de dias melhores chamavam o lugar de “Vida Nova”, mas também outros chamavam de terra do “Deus me livre”. Mas, minha avó, querendo mais autonomia, quis ter uma terrinha dela mesma, já que a que moravam, em Iguaraçu, puseram no nome de sua mãe (no caso minha bisavó); também porque, segundo ela dizia, a sua mãe era muito geniosa.

E pra onde sua avó foi?
Juntando economias minha avó (mãe da minha mãe) comprou uma chácara no município de Santa Isabel do Ivaí, em meados de 1957.

Ela sobrevivia da agricultura?
Sim, na sua chacrinha, começou plantar, banana, abacaxi, mandioca e vender na cidade; e assim sobrevivia, criando minha mãe e meu tio. As pessoas reconheciam que ela era muito trabalhadeira e que não tinha marido e, por isso, gostavam de comprar os produtos que ela vendia do seu carrinho de tração animal, davam assim, preferência para ela. E minha mãe continuou estudando e chegou a concluir a chamada “escola normal”. Tinha que andar mais de 20 Km de ida e volta da escola se quisesse estudar. Foi muito difícil para minha mãe estudar naquele tempo.

Como seus avós paternos se tornaram evangélicos, da Assembléia de Deus?
Meus avós paternos se converteram a fé pentecostal na cidade de Tupã, naquele lugar, que já me referi, chamado Vila Queiroz que era um local de gente muito pobre e marginalizada. Mas, por toda aquela a região de cerca de 10 municípios, a Igreja Assembléia tinha, esparramados por toda aquela zona rural, templozinhos bem simples de chão batido e coberto de sapé e os chamados pontos de pregação, que normalmente era na própria casa dos fiéis. A primeira pessoa a se converter na família foi minha avó. O casamento de minha avó Valdeci e meu avô Antônio Chico estavam com sérios problemas. Ele era sanfoneiro tocava nos bailes, era muito requisitado porque tocava as músicas de Luiz Gonzaga, em função disso, segundo a vó Valdeci contava, ele era muito assediado pelas mulheres, e segundo meu pai meu avô era meu metido a valentão e gostava de jogo de baralho. Minha avó passou a ter muito ciúme do meu avô. Em função de ele gastar muito dinheiro com isso, começou a ter dificuldades no casamento. Segundo minha avó dizia, ela encontrou amparo com as mulheres da Assembléia de Deus; aceitou a fé deles; batizou-se; segundo ela dizia: “Jesus mudou minha vida! Jesus é tudo para mim”. Sendo evangélica, passou a ser mais tolerante com o marido e começou convidá-lo para ir à igreja.

E seu avô também resolveu ser evangélico, em seguida?
Depois de uns dois anos da conversão de minha avó, meu avô também teve uma experiência de mudança radical de vida, na Assembléia de Deus. Depois de freqüentar vários cultos, abandonou a bebida, o cigarro, o jogo de baralho e os bailes. Daí para frente ele mudou o jeito de tratar sua esposa e seus filhos. O que contribui muito para reforçar as mudanças de ambos foi a experiência que o povo pentecostal chama de “batismo com o Espírito Santo”, quando o fiel pentecostal fala línguas estranhas, fenômeno que os estudiosos chamam de glossolalia, conforme o Livro de Atos dos Apóstolos registra. Depois de convertido, meu avô passou a tocar sua sanfona nos cultos das Assembléias de Deus da região, chegando a auxiliar na liturgia da igrejinha. Eles dizem terem sido muito influenciados pela programação radiofônica denominada Voz das Assembléias de Deus no Brasil, veiculado por várias emissoras de rádio, nas décadas de 50 a 80, pelo missionário Americano Lawrence Olson.

Então, quando eles mudaram para o Paraná já eram pentecostais?
Sim, inclusive quando mudaram para Santa Isabel do Ivaí, eles e mais quatro famílias fundaram a Assembléia de Deus do ministério da Missão – do Belenzinho – São Paulo, pois em Santa Isabel somente havia a Assembléia de Deus do ministério de Madureira – Rio de Janeiro. Ele pôde ajudar decisivamente na fundação dessa igreja porque a Assembléia de Deus permite que o leigo tenha iniciativas. Aqueles que não fazer parte do clero da igreja poder agir na evangelização.

E quanto à sua avó materna e sua mãe como se tornaram evangélicas?
Quando ela se mudou em meados de 1957, para o município paranaense de Santa Isabel do Ivaí, era terrível para uma mulher com dois filhos pequenos sobreviver sozinha. Uma das famílias de vizinhos demonstravam muito carinho para com minha avó; e esses vizinhos eram evangélicos e começaram explicar a Bíblia Sagrada para ela, ao que ela veio aceitar a fé evangélica. Logo se batizou, passando a ser uma membro da Assembléia de Deus, do ministério de Madureira, no município de Santa Isabel do Ivaí.

II. PAIS

Como os pais se conheceram?
Em 1963, no município de Santa Isabel do Ivaí – PR, meu pai estava colhendo o algodão no sítio de seu pai e minha mãe tinha sido contratada para fazer também o mesmo serviço. Conheceram-se na roça! Em 1964, começaram a namorar, vindo se casarem no ano de 1966.

Eles estudaram em Santa Isabel?
Meu pai concluiu o primário, como já conversamos na primeira entrevista, quando ele morava ainda no estado de São Paulo. Aqui no Paraná, na cidade de Paranavaí fez, na época, o chamado ginásio. Viajava para estudar todo dia de Santa Isabel a Paranavaí, para lá estudar. Minha mãe fez a chamada Escola Normal (algo equivalente ao Magistério), em Santa Isabel do Ivaí.

Seus pais trabalhavam em que nessa época?
Meu pai trabalhava em uma loja de venda de tecidos; depois, passou a trabalhar na prefeitura. E ela era professora primária de uma escola rural no município de Loanda, vindo a passar no concurso do Estado em 1970 quando começou a trabalhar em escolas estaduais.

Até quando ficaram em Santa Isabel?
Até o ano de 1972 quando se mudaram para Maringá.

E o que os motivou a mudarem-se?
Meus pais começaram a sofrer uma espécie de perseguição, de certa forma, de natureza político-religiosa. Como meu pai fez parte de um grupo de evangélicos que apoiaram determinado candidato a prefeito, e esse veio a perder nas eleições, passado o pleito o candidato vitorioso começou segurar o salário de ambos, chegaram a ficar de 3 a 4 meses sem pagamento. Assim, para escapar dessa situação e porque sonhavam em estudar, mudaram-se para Maringá. Assim, minha mãe passou a estudar pedagogia na faculdade de Mandaguari, e dava aulas no antigo Grupo Escolar Anita Garibaldi, na Av. Monteiro Lobato, na Vila Operária; e meu pai começou a trabalhar nas casas Riachuelo, e estudava no Instituto de Educação em Maringá, chegando a concluir o curso de Técnico em Contabilidade. O sonho dele era fazer faculdade.

E seu pai conseguiu realizar o sonho de cursar uma faculdade, nessa época?
Ele acabou saindo das Lojas Riachuelo, passou a trabalhar como vendedor ambulante e chegou a vender carnês do baú da felicidade; ele declara que o desemprego era grande em Maringá na década de 70 para quem não tinha uma mão-de-obra especializada. Daí abriram vagas para o concurso da Polícia Militar para a função de soldado, ele para fugir de trabalhos temporários fez o concurso e foi aprovado. Mas, por causa dos horários das escalas como soldado da PM foi perdendo a motivação para fazer um curso na faculdade.

Seu pai trabalhou quanto tempo na PM?
Trabalhou cerca de 15 anos, chegando a ser sargento da PM. Depois, ele passou em concurso para a função de escrivão de polícia, chegando se aposentar nessa função.

Eles continuaram pertencendo à igreja evangélica?
Meu pai era muito motivado quanto à religiosidade pela sua mãe. Depois a mãe dele faleceu, em 1971, e ele se mudou para Maringá, se distanciou um pouco da igreja, chegando a deixar de ir por uns 15 anos à igreja, voltando freqüentá-la assiduamente em 1986. Minha mãe, apesar de não ir com muita freqüência à igreja, pois o templo mais perto de nossa casa ficava no centro de Maringá, ainda continuava e levando a mim e meus irmãos. Quando em 1977 a Assembléia de Deus construir um templo bem próximo de nossa casa na Vila Operária, ela voltou a freqüentar assiduamente.

O fato de seu pai distanciar da igreja mudou muito a vida da família?
Mudou muito, pois ele passou a fumar muito, começou gastar dinheiro fora de casa. E como foi policial em um tempo em que a mentalidade da polícia parecia ser mais truculenta ele tratava os filhos e a esposa com aspereza. Isso me fez desenvolver muita timidez, uma certa insegurança e introspecção. Meus pais passaram a se desentender muito. Hoje, meu pai é um outro homem, graças a Deus! Mas, mesmo depois que distanciou da igreja nos incentivava a estudar, trabalhar e sermos fortes.

III. PERGUNTAS MAIS LIGADAS AO PERFIL
1. Como foi sua infância?

Eu sempre tive uma tendência para a melancolia. E em função dos problemas familiares, dos desentendimentos constantes dos meus pais acabei a desenvolvendo muita timidez, uma certa insegurança e introspecção. Não tenho boas lembranças da infância. Infelizmente não posso dizer que fui uma criança feliz.

2. As Brincandeiras?
4.Sempre fui uma criança e um adolescente muito sério, com uma seriedade acima da média. Brincava pouco, mas as brincadeiras favoritas eram o futebol e o jogo de bolinha de gude.

3. Passa-tempo?
Gosto muito de ler; leio de tudo, mas, principalmente a Bíblia Sagrada e Teologia,

4. Hobby?
Escrever; gosto muito de escrever.

5. Convivência (colegas)
Sempre tive amigos. Mas, em média como as pessoas me acham sério, algumas provavelmente me achavam até chato e ocorria um distanciamento recíproco. Entretanto, sempre tive um número razoável de amigos, tendo sempre bons relacionamentos. Na maioria dos lugares que trabalhei e convivi acabei tornando-me líder, às vezes, até sem querer muito.

A respeito de sua trajetória escolar como foi o ensino fundamental?
Estudei o ensino fundamental no Grupo Escolar Anita Garibaldi, próximo a minha casa na vila Operária. Da sexta série até a oitava estudei no colégio católico Santo Inácio, também na Vila Operária, pois, minha mãe começou lecionar lá e assim ganhei uma bolsa de estudos. Senti uma diferença brutal entre a escola pública e a escola particular.

E o ensino médio
Estudei até o segundo ano do ensino médio no Colégio Santo Inácio; mas, quando fiz o terceiro ano, passei a estudar a noite, pois tive que trabalhar de dia.

Que cursos superiores o senhor concluiu?
Fiz licenciatura plena em Letras – com habilitação em português e literaturas de língua portuguesa, na UEM – Universidade Estadual de Maringá, iniciei o curso em 1985 e conclui no ano de 1989. Em 1991, iniciei o curso de Direito, também na UEM, conclui no ano de 1996. Em 1998, comecei o curso de Bacharel em Teologia, pelo sistema modular, pelo SETAD Seminário Teológico da Assembléia de Deus de São Paulo, concluindo no ano de 2001.

O Senhor é mestre em quê?
Em Missão Urbana, pela FTSA – Faculdade Teológica Sul-Americana em Londrina, minha área de pesquisa é igreja cultura e sociedade. A FTSA é uma escola muito séria com todos os requisitos exigidos pelo MEC para ser reconhecida. Há uma vinculação de parceria dela com outras instituições estrangeiras como por exemplo: a FTL – Fraternidade Teológica Latino Americana; o Fuller Theological Seminary; o Wheaton College e o King College.

QUARTA ENTREVISTA
Como foi o início da sua carreira profissional?

Na adolescência trabalhei de vendedor ambulante, vendendo material de limpeza de porta em porta; depois trabalhei como garçon; entrei no Restaurante Industrial da COCAMAR – Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá como ajudante geral, depois passei a ser responsável pelo almoxarifado, chegando posteriormente ser responsável de uma área da administração desse lugar. Fui por sete anos funcionário da COCAMAR. Esse foi o início de minha carreira profissional.

Hoje, quais atividades o senhor exerce?
Profissionalmente sou professor em curso Pré-vestibular em Maringá e Ministerialmente sirvo como pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Sarandi.

Do jeito que o senhor fala, o senhor distingue profissão de seu trabalho na igreja?
Sim como profissional tenho carteira assinada como qualquer trabalhador, mas o trabalho pastoral, nós, pastores o vemos como um ministério voluntário, uma vocação espiritual.

Qual carga horária de trabalho o senhor executa como professor?
12 horas

O que o senhor leciona?
Redação para vestibulares.

Como educador qual sua posição sobre as Cotas (negros, orientais, gordos…)

E na igreja, qal carga horária de trabalho o senhor executa como professor?
Como exerço um trabalho sacerdotal fico todo o meu tempo restante à disposição da igreja e da comunidade de Sarandi.

Como foi essa situação, na sua vida, de trabalhar em sua profissão e ainda exercer esse serviço na igreja, o senhor pode resumir sua história nesse aspecto?
Sou um típico obreiro da Assembléia de Deus, que depois de seguir a Jesus algum tempo me vi chamado para o ministério da Palavra. Era acometido de uma timidez doentia e de gravíssimos problemas familiares. Depois de ter tido o que julgo ser uma experiência mística com Cristo, minha vida começou a sofrer uma profunda transformação. Digo que sou um típico obreiro assembleiano por que, como os demais colegas de ministério, vi-me fazendo a obra de Deus com todas as limitações peculiares ao fato de ser leigo. E depois que estava já inserido na obra, é que parti para uma preparação teológica mais formal, tendo em vista a necessidade de aprimoramento de meu arcabouço teórico.

Assim, experimentei em minha própria vida como a mensagem do Evangelho estimula mudanças de comportamento na vida do ser humano. Isso começou me legitimar para que eu pudesse pregar que o Evangelho transforma de fato aqueles que se abrem à sua mensagem. A partir dessa motivação é que comecei a estudar a literatura teológica a fim de melhorar as aulas que ministrava na Escola Bíblica Dominical, aos domingos pela manhã, logo passei a também pregar a Palavra de Deus, sendo eleito líder de jovens de uma congregação bem pequena e posteriormente de nossa igreja sede, coordenando um grande trabalho de jovens por mais de cinco anos.

No aspecto secular, como provim de uma família pobre, percebi cedo a necessidade de estudar para qualificar-me profissionalmente. Assim, trabalhando de dia em um restaurante industrial e estudando à noite fiz a faculdade de Letras, na UEM – Universidade Estadual de Maringá, com a graça de Deus, destaquei-me como a terceira melhor nota da turma. Em seguida, passei em um concurso público para a função de professor da rede municipal de ensino, passando a lecionar durante o período diurno. Mas, ainda com a intenção de melhorar minha condição econômica, ingressei por intermédio de um concorridíssimo exame vestibular, no Curso de Direito, também na UEM, começando a cursar o curso de Direito. Como me identifiquei bastante no magistério, na escola pública, fui chamado a lecionar em cursos pré-vestibulares na rede privada de ensino. Quando conclui o curso de Direito, relativamente bem situado no magistério, mas mesmo assim, passei dedicar um período do dia para advogar. Fui trabalhar em um dos maiores escritórios de advocacia de Maringá.

Concomitante a essa vida acadêmica, liderava um grupo de jovens de 38 igrejas no campo eclesiástico da Assembléia de Deus de Maringá. Coordenava, pregava e ensinava centenas de jovens. Sendo sempre um autodidata na minha preparação teológica. Ao final dessa fase de minha vida, fiz um curso Básico em Teologia com vinte disciplinas oferecidas pela minha denominação. Depois de 10 anos de ensino, pregação e liderança de jovens fui separado e ordenado ao ministério de Presbítero (não sendo inicialmente separado ao diaconato como é quase um padrão na Assembléia de Deus). Nessa época, desliguei-me da advocacia depois de uma segunda experiência pessoal com Deus muito forte. Nessa ocasião, o Senhor estava me confirmado de modo veemente um chamado específico para o Ministério.

Depois de ser ordenado a presbítero, fui pastorear a primeira igreja – a Assembléia de Deus no Parque Residencial Quebec, situada na Av. Kakogawa, 567 – jardim da zona norte de Maringá. Pastorei essa congregação por quatro anos, quando fui transferido dessa igreja contava com 240 membros. Em todo esse pequeno período de pastorado, sempre levei a atividade do magistério secular paralela a minha atividade ministerial. Durante esse meu pastoreio fiz um curso de Bacharel em Teologia, no sistema modular pelo SETAD – Seminário Teológico da Assembléia de Deus – com sua sede em São Paulo e vinculado à nossa Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil.

Tendo me destacado como professor de curso pré-vestibular, meus patrões me bancaram a cota para ser sócio deles em uma filial na cidade de Paranavaí. Entretanto, depois de quase dois anos naquela sociedade, tive uma terceira experiência mística com Cristo na qual o Senhor me mostrou que deveria sair daquela sociedade. Apesar da renúncia que tive que fazer do ponto de vista profissional e financeiro, obedeci à ordem do Senhor. Todavia, continuei lecionando na sede do referido Sistema de Ensino em Maringá, mas diminui minah carga horária a fim de dicar-me um pouco mais ao ministério eclesiástico.

Em meados de 1998, entendi aquela terceira experiência a que me referi, pois fui separado e ordenado ao ministério de Evangelista, a partir de então passei a fazer parte da nossa Convenção Estadual e da nossa Convenção Nacional.

Em agosto de 1999, assumi a Assembléia de Deus de Sarandi, uma congregação da Assembléia de Deus em Maringá, que na época contava com 457 membros. Estou pastoreando essa igreja até hoje e pela graça do Senhor hoje contamos com 632 membros.

Em 2001, fui ordenado e separado ao ministério de Pastor pela nossa Convenção Estadual. Nesse ano, pela graça do Senhor, fui escolhido pela nossa Convenção Geral para treinar pastores de sete Assembléias de Deus lusófonas no Japão. E em 2002, por esta mesma graça, fui ministrar em duas Assembléias de Deus, de brasileiros, portugueses e africanos nos Estados Unidos, no estado de Connecticut.

O senhor não acha que ser profissional no mundo secular e ser pastor pode atrapalhar seu trbalho como líder religioso?

Em seu trabalho como pastor, além de liderar a Assembléia de Deus em Sarandi, o senhor realizou ou realiza outras atividades religiosas?
Sim atuo como coordenador estratégico, de ensino e professor dos pastores das 38 igrejas da região metropolitana de Maringá; atuo como Coordenador do Bacharelado em Teologia pelo SETAD – São Paulo – para a região metropolitana de Maringá; coordeno o Curso Básico em Teologia do IBADEP – Instituto Bíblico da Assembléia de Deus no Estado do Paraná – Núcleo de Sarandi, atendendo 7 igrejas diferentes; também sou coordenador do Curso Médio em Teologia do IBADEP – Instituto Bíblico da Assembléia de Deus no Estado do Paraná – Núcleo de Sarandi – com 18 alunos que atende 7 denominações pentecostais diferentes; criei a Equipe de Capelania Hospitalar do Hospital Santa Lúcia em Maringá, que está atuando há 6 anos; fui também criador da Equipe de Capelania Penitenciária da Penitenciária Estadual de Maringá, e presto atendimento individual aos detentos e aos funcionários daquela instituição; supervisiono também um trabalho semelhante na cadeia Pública de Sarandi; também ora ou outra sou convidado para realizar conferências, pregando a Palavra de Deus, em diversos estados da federação Brasileira: congressos de jovens, de senhoras, escolas bíblicas de obreiros, conferências de educadores e missões.

Pelo jeito o senhor se preocupa também com as necessidade sociais das pessoas?
Sim, Jesus Cristo fez uma opção pelos pobres, e eu também procuro fazer. Creio que a igreja como povo de Deus na face da terra tem uma Missão integral na terra.

O Senhor pode esclarecer o que é essa missão integral da igreja?
Entendo por “missão integral” a incumbência totalizadora que Jesus deixou para a igreja na face da terra, ou seja, a igreja não deve apresentar um evangelho teórico que não muda as pessoas e o ambiente onde elas estão inseridas. O evangelho não pode ser uma teoria bonita, nem blá-blá-blá, precisa na verdade demonstrar ações efetivas que mostre uma preocupação efetiva com o ser humano como a “imagem e semelhança de Deus”. Explicando melhor: a igreja e os cristãos em particular devem adorar e louvar a Deus; evangelizar o mundo; aprender e ensinar o plano de Deus para a raça humana e para a terra; servir o próximo.

O senhor pastoreia uma igreja de cerca de 600 membros, ela desenvolve alguma trabalho na área de ação social?

Sim, para tanto criamos duas Associações: uma de ação social chamada Associação Educacional e Assistencial “Oásis do Amor” e outra de caráter cultural e recreativo que chama-se Associação Cultural e Recreativa Aprisco.

Quais atividades de caráter social essas associações tem feito com relação a ação social?

Alfabetização de jovens e adultos.

Oferecimento de Cursos de qualificação de mão-de-obra ou de aprimoramento de renda em parceria com a Prefeitura de Sarandi, Agência do Trabalhador, SENAC, SEBRAE e APMI.).

Ministração de palestras voltadas às crianças, pré-adolescentes, jovens, adultos e terceira idade abertas a toda comunidade sarandiense, em 14 pontos diferentes da cidade. Temas Gerais: valorizando a Auto-estima; valorizando o meu próximo; valorizando a Cidadania; valorizando nosso papel na sociedade; vivendo em Integridade; a importância para a Sociedade da Moral e os dos Bons Costumes; firmando a Identidade.

Ministração de cursos que fomentem a arte, a cultura e educação: Teoria Musical Básica; Teoria Musical Média; Divisão Musical; Técnica Vocal; Trompete Básico; Clarinete Básico; Trombone Básico; Violão Básico; Violão Clássico; Teclado Básico; Teclado Avançado; Violino Básico; Teologia Básico (total de 220 horas/aula); Teologia Médio (total de 330 horas/aula); Teologia Bacharelado (por módulo).

Serviço à Comunidade oferecendo nossas 12 salas para iniciativas que repercutam na valorização do ser humano.

Assistência Social: arrecadação e distribuição de Alimentos não perecíveis; arrecadação e distribuição de Roupas e calçados. ; ajuda para compra de medicamentos; ajuda para passagens rodoviárias; ajuda para consultas particulares; ajuda para pagamento de taxas de documentação; ajuda para confecção de óculos; contribuição com o GAPC – Grupo de apoio a Pessoas com Câncer.

Como já falei em outra entrevista elaboramos e Distribuímos um Panfleto inédito à cada semana, mas também com uma mensagem que visa resgatar a auto-estima do cidadão sarandiense, bem como valores como família, solidariedade, moral e bons costumes. O panfleto é intitulado “Uma palavra de Esperança para Você” (tiragem: 2800 semanais).

Retiros, acampamentos com crianças, adolescentes, jovens e terceira idade; escolas biíblicas de férias; passeios ciclísticos contra as drogas e contra a fome.

Há muitos pentecostais no Brasil, existe alguma distinção entre eles?
A essência dos pentecostais é a mesma, ou seja, a salvação é pela graça por meio da fé e a crença nos dons do Espírito Santo como meios de capacitação do povo de Deus na face da terra. Mas, há diferenças sim. Um professor de instituto bíblico, de uma faculdade americana, chamado Peter Wagner e um pesquisador da Federal de São Carlos chamado Paul Freston diferenciam o Pentecostalismo em três ondas: a primeira constituída pela Assembléia de Deus e Congregação Cristã no Brasil, que se estabeleceram respectivamente em 1911 e 1910, são chamados de pentecostais clássicos; a segunda onda, ergueu-se na década de 50 e estendeu-se até o início da década de oitenta é constituída da Igreja do Evangelho Quadrangular, Deus é Amor, o Brasil para Cristo; as batistas e presbiterianas que sofreram um chamado reavivamento – recebem o nome também de deutero-pentecostais; e por fim temos a terceira onda, em meados dos anos 70: representada pela Igreja Internacional da Graça de Deus, outras e principalmente pela Igreja Universal do Reino de Deus, esse grupo é chamado de neo-pentecostais.

O que o senhor acha do uso da mídia pelas igrejas?
O novo testamento enfatiza a missão evangelizadora da igreja; Jesus Cristo ordenou aos seus seguidores que pregassem o evangelho até os confins da terra. Creio que é biblicamente correto se utilizar de toda sorte de veículo midiático para pregar uma mensagem de vida e esperança que se encontra no poder do evangelho para as pessoas. O apóstolo Paulo, no seu tempo, utilizou de todos os meios e recurso que dipunha para anunciar a mensagem do evangelho. Obviamente, isso deve ser feito com ética.

Nesse sentido, Pr. Robson, o senhor faz uso do que para pregar o evangelho?
Em audiovisual utilizo a veiculação de programetes de mensagens no circuito fechado de televisão do terminal Rodoviário de Maringá; já fui convidado para veicular programetes de mensagens evangelísticas na TV Cidade de Maringá. Também faço gravação de CDs e K7 de pregações e de ensino bíblico, tenho 20 temas gravados em CD e K7. Também utilizo a internet com meu site pessoal que tem o objetivo de anunciar a mensagem do evangelho e auxiliar pregadores iniciantes. O endereço dessa home page é pastorrobsonbrito.blogspot.com Também colaboro com vários sites na internet. Literaria no ambiente denominacional escrevo livros didático e apostila Teológica dirigida a líderes pentecostais de todo o Brasil. Contribuo a nível nacional com nossa editora a CPAD – do Rio de Janeiro, escrevendo para os seus 6 periódicos. Há um ano o jornal O Diário do Norte do Paraná está publicando artigos meus a todo o domingo. E transformo cada texto desse em um panfleto dirigido à população de Sarandi com uma tiragem de 2800 exemplares, o título dessa publicação é Uma palavra de esperança para você. Já utilizei também o rádio.

QUINTA ENTREVISTA

Parece que o pentecostalismo se preocupar muito em seguir a Bíblia, não é?
Na verdade a origem desse movimento remonta a igreja primitiva dos tempos de Jesus Cristo. Isso é registrado no livro de Atos dos Apóstolos. No nosso entendimento, o pentecostal de hoje também fica cheio do Espírito Santo, da mesma forma que os discípulos e os seguidores de Jesus ficaram durante a Festa Judaica do Pentecoste, no início da Igreja Primitiva (Atos 2). Assim, foram chamados de “pentecostais”. Exatamente como os crentes que estavam no Cenáculo, os precursores do reavivamento, do século XX, falaram em línguas quando receberam o batismo no Espírito Santo. Outras manifestações sobrenaturais tais como profecia, interpretação de línguas, conversões e curas também aconteceram conforme vemos em todo Livro de Atos dos Apóstolos.

O senhor pode informar a evolução histórica do pentecostalismo no mundo
Do segundo século em diante e até durante a Idade Média o pentecostalismo sempre existiu, especialmente, com o exercício do dom de línguas. Todavia, como o povo pentecostal na sua maioria é um povo pobre e iletrado a história não foi escrita. Tenho pesquisado isso, pois faz parte da dissertação que vou desenvolver no Mestrado em Teologia Prática que estou cursando. Se você me permite pegar aqui umas anotações sobre a evolução histórica do pentecostalismo?

Sim fique à vontade…
Pois bem, em 1820 – Os irmãos de Plymouth, John Nelson Darby, pastor irlandês Anglicano, que deixou sua igreja e passou a se identificar com o movimento dos Irmãos Plymouth. Estabeleceu e proclamou o “Premilenialismo”, doutrina escatológica, ou seja, prega que Jesus voltará a terra pela segunda vez antes que um governo mundial totalitária e anticristão assuma o pdoer total do planeta. Essa doutrina foi incorporada pelo Pentecostalismo.

1864 – Na congregação dos discípulos de Cristo, Maria Woodworth Etter, pioneira de cruzadas de salvação e cura divina que passou a ser imitada pelo Pentecostais. Muito 0s Quakers aceitaram a fé Pentecostal através do intenso e poderoso ministério de Woodworth Etter. Ela recebeu, o que considerou ser o batismo com o Espírito Santo, em resposta de sua oração, por uma unção e consagração para o serviço da causa. Ela disse: “fui batizada com Espirito Santo e fogo, com poder que jamais deixou”.

1867 – Na Igreja Metodista, George Watson, pregava o batismo com Espirito Santo, fonte do poder santificador.

1876 – No movimento de vida profunda, G. Campbel Morgan, plenitude do Espirito, santidade, salvação, poder de Deus, mensagem cristocêntrica e serviço a causa, eram os principais temas de sua pregação.

1876 – Adoniram Judson Gordon, pastor batista, enfatizou em seus escritos da importância do ministério e operação do Espirito Santo.

1876 – Charles G. Finney, ele mesmo em sua autobiografia testifica da experiência, quando recebeu o poder do Espirito Santo.

1880 – Moody’s Chicago Bible Training Institute, Dwight L Moody, seu fundador, antes de morrer, deixou escrito, sobre sua experiência de ser cheio do Espirito Santo, razão de sua intensa atividade evangelística e poder para curar os enfermos.

1883 – John Alexander Dowie, pastor congregacional, fundou o Tabernáculo de Zion em Chicago, Templo para 8.000 lugares. Sua pregação era enfática sobre salvação, vida nova no Espirito, cura divina e o batismo com Espirito Santo.

1897 – Charles Price Jones, pastor batista, liderou as primeiras convenções de santidade interdenominacional realizadas em Selma, Alabama. Comparecem delegados de 8 Estados e várias igrejas, com um número acentuado de líderes negros…

Então a origem do pentecostalismo brasileiro é marcadamente norte-americano?
Sim, isso fica mais claro quando descobrimos que em 1900 – Charles F Parham, pastor metodista, procurando estabelecer um parâmetro entre a igreja do 1º Século e a igreja de seu tempo, fundou o Instituto Bíblico (Bethel College em Topeca, Kansas, USA). Juntamente com os primeiros 40 alunos chegaram a uma conclusão, após cuidadoso estudo do Livro de Atos do Apóstolos, que a manifestação das línguas estranhas era o real e verdadeiro sinal do batismo do Espirito Santo. Assim, passaram a buscar oração, e no dia 30 de Dezembro de 1900, às 19:00H, uma moça por nome de Agnez Ozman, fez lembrar o Dr. Parham dos vários casos no Livro de Atos a recepção do Espirito Santo foi acompanhado pela da imposição de mãos. Ela pediu que o pastor Parham impusesse as mãos. Então, fazendo isto, enquanto oravam juntos, de repente essa moça começou a falar em outras línguas. Essa é a data oficial do inicio do movimento Pentecostal moderno, conhecido por todos.

As coisas eram diferentes, porém, no início, durante o reavivamento na rua Azusa22 em Los Angeles sob a liderança do negro William Joseph Seymour. Sua estória foi contada pela primeira vez por Douglas Nelson.23 James Cone está correto quando afirma: “As histórias terão que ser escritas de novo após a leitura de Nelson.”24

Quem foi William Joseph Seymour?

Ele era filho de ex-escravos de Centerville, Louisiana. Aprendeu a ler e escrever sozinho e durante algum tempo estudou na escola bíblica de Charles Fox Parham em Topeka, Kansas. Parham (1873-1929), freqüentemente descrito como pioneiro do pentecostalismo, era também simpatizante da Ku Klux Klan—portanto ele excluiu Seymour de suas aulas de Bíblia. Foi permitido a Seymour apenas ouvir as aulas fora da sala de aula através da porta entreaberta. Não obstante, Seymour aceitou a doutrina do batismo do Espírito exposta por Parham e começou a ensiná-la em uma igreja Holiness em Los Angeles.

Seymour e seus irmãos e irmãs negros sofreram amargamente. Durante a vida adulta de Seymour mais de 3.400 pessoas negras sabidamente foram linchadas, atingindo a média de duas por semana. Inúmeras brutalidades ocorreram ao redor dele, muitas delas instigadas por cristãos. Apesar de constante humilhação, ele desenvolveu uma espiritualidade que em 1906 produziu um reavivamento em Los Angeles que muitos historiadores pentecostais acreditam ser o berço do pentecostalismo. As raízes da espiritualidade de Seymour encontram-se em seu passado. Ele afirmou sua herança negra ao introduzir espirituais negros e música negra em sua liturgia numa época quando esta música era considerada inferior e não apropriada para o culto cristão. Ao mesmo tempo ele expressava com firmeza sua compreensão do Pentecostes bíblico de Atos dos Apóstolos 2. Para ele o Pentecostes significava mais do que falar em línguas. Significava viver o amor diante do ódio—vencer o ódio de uma nação inteira por meio da demonstração que o Pentecostes é algo bastante diferente da maneira de viver americana voltada para o sucesso.

1905 – Thomas B. Barrat, pastor metodista, norueguês de Oslo, visitou o movimento da Rua Azuza, 312, Los Angeles, CA, onde foi batizado com Espírito Santo. Voltando, levou a mensagem aos países escandinavos e norte da Europa. Estes e tantos outros homens e mulheres, juntos ajudaram a definir as idéias que motivaram a oração, buscando uma vida santificada pelo poder do Espirito Santo, numa expectativa para um mundo futuro de reavivamento e influência permanente para a propagação do Pentecostalismo até a volta do Senhor Jesus. A partir destas ultimas datas o Senhor Jesus começou a derramar profundamente, como nunca antes aconteceu, o poder do Espirito, batizando os crentes, como evidência, os que recebiam batismo, falavam em outras línguas, em idiomas que nunca haviam falado antes, glorificando a Deus. Esse movimento alastrou-se por vários Estados americanos e até outros países. Destacando-se o que ocorria na Rua Azuza, 312, A Apostolic Faith Gospel Mission, liderado pelo Pastor William J. Seymour, um negro a quem Deus distinguiu de forma especial, atraindo pessoas de várias partes do pais e do exterior, para observar como era uma comunidade Pentecostal, uma vez sedentos, recebiam o avivamento, levando as chamas para os pontos mais distantes da terra.

1910 – Destes pólos do avivamento Pentecostal, saíram dois homens suecos: Gunar Vingren e Daniel Berg da cidade de Chicago, onde receberam a consagração para a obra missionária, que por revelação de Deus, partiram do porto de New York para o Brasil com destino ao estado de Belém, capital do estado, no dia 19 de novembro de 1910. Como eram batistas, foram congregar na igreja batista local. Os novos missionários passaram a se reunir em uma casa de oração, na Rua Siqueira Mendes, Cidade Velha, onde residia a irmã Celina de Albuquerque, a primeira que veio a receber o batismo com o Espirito Santo, seguido de vários outros crentes. Diante disso, o pastor batista local, os expulsou da Igreja Batista. Até então, não havia um nome que identificasse o movimento. Os primeiros crentes avivados entre eles pastores e lideres, não intencionavam criar mais uma nova denominação, e sim, que a chuva serôdia do Espirito Santo enviado por Deus, tomasse conta das igrejas existentes. Isto não aconteceu.

Quando Daniel Berg e Gunnar Vingren chegaram a Belém do Pará, em 19 de novembro de 1910, ninguém poderia imaginar que aqueles dois jovens suecos estavam para iniciar um movimento que alteraria profundamente o perfil religioso e até social do Brasil por meio da pregação de Jesus Cristo como o único e suficiente Salvador da Humanidade e a atualidade do Batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais. As igrejas existentes na época – Batista de Belém, Presbiteriana, Anglicana e Metodista, ficaram bastante incomodadas com a nova doutrina dos missionários, principalmente por causa de alguns irmãos que se mostravam abertos ao ensino pentecostal. A irmã Celina de Albuquerque, na madrugada do dia 18 de junho de 1911, foi a primeira crente a receber o batismo no Espírito Santo, o que não demorou a ocorrer também com outros irmãos. O clima ficou tenso naquela comunidade, pois um número cada vez maior de membros curiosos visitava a residência de Berg e Vingren, onde realizavam reuniões de oração. Resultado: eles e mais dezenove irmãos acabaram sendo expulsos da Igreja Batista. Convictos e resolvidos a organizar-se fundaram a Missão de Fé Apostólica, em 18 de junho de 1911.

No ano de 1914 – Em 2 de Junho, na cidade de Hot Spring, Arkansas, os líderes pentecostais reunidos em convenção organizaram o Concílio das Assembléias de Deus, que atualmente se encontra em muitos países. Neste ano chega ao Brasil o primeiro casal de missionários Otto e Adina Nelson, enviado pela Igreja Filadélfia de Estocolmo para auxiliar a obra que há pouco havia iniciada no Brasil. que mais tarde, em 1918, ficou conhecida como Assembléia de Deus.

Em poucas décadas, a Assembléia de Deus, a partir de Belém do Pará, onde nasceu, começou a penetrar em todas as vilas e cidades até alcançar os grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Como se dá estrutura da igreja?
As igreja nascem normalmente de algo chamado ponto de pregação, que normalmente é uma residência de um irmão, quando, não cabe mais as pessoas ,,.,.. na referida ,,.,..casa, costuma-se alugar um salão; quando o ponto de pregação atingi um certo número de membros eleva-se ao status de subcongregação, ligada a uma congregação normalmente no centro do bairro; em seguida compra-se um terreno e constrói-se um templo; depois disso atingindo-se um determinado número de membros de 50 a 70 essa subcongregação torna-se uma congregação ligada diretamente a uma igreja sede (que normalmente localiza-se no centro da cidade). Os pontos de pregação, as subcongregações e as congregações – são como igrejas menores satélites – ligadas a uma igreja sede formam o chamado campo eclesiástico, por exemplo, o campo eclesiástico cuja sede é Maringá é constituída de aproximadamente 50 congregações.

O Paraná é dividido em seis regiões eclesiásticas, cada região eclesiástica é formada de 15 a 20 Campos Eclesiásticos. E os líderes desses campos eclesiásticos são chamados de pastores residentes. A reunião desses pastores e de seus auxiliares diretos (pastores auxiliares e evangelistas) formam o que chamamos de Convenção Estadual ou Convenção Regional. Hoje em quase todos os municípios brasileiros possui um templo da Assembléia de Deus e a liderança deles se distribuem em 45 convenções estaduais. Essas convenções estaduais são ligadas fraternalmente e não subordinadamente a uma convenção geral chamada CGADB – Convenção Geral da Assembléia de Deus no Brasil. E em quase todos os países do mundo temos uma Convenção Nacional, também chamado de Concílio; e esses concílios se ligam a um Comitê Mundial.

O senhor disse que essa Convenção Geral não tem ação de subordinação sobre as convenções estaduais?
Sim, é isso mesmo

Mas qual o objetivo dessa CG?
Promover a união e o intercâmbio entre as Assembléias de Deus;
Atuar no sentido da manutenção dos princípios morais e espirituais inspirados na Bíblia;
Zelar pela observância da doutrina bíblica, incrementando a evangelização e estudos bíblicos;
Manter a Editora da igreja cuja sigla é CPAD – Casa Publicadora das Assembléias de Deus e propugnar pelo seu desenvolvimento;
Promover e incentivar a proclamação do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, no Brasil e no exterior;
Promover o desenvolvimento espiritual e cultural das Assembléias de Deus e manter a unidade doutrinária;
Promover a educação em todos os seus níveis e a assistência filantrópica;
Exercer ação disciplinar sobre os pastores e evangelista que a constituem.

Como pastor como é o seu trabalho?
Motivo o povo de Deus a adorar a Deus; ensino-os os fundamentos do Evangelho; evangelizo; incentivo os membros da igreja a também a evangelizar; estimulo o serviço cristão para o próximo; dirijo cultos; estabeleço metas para igreja; treino novos líderes; abro novos pontos de pregação; faço casamentos; faço funerais; discípulo pessoas preparando-as para o batismo; apresento recém nascidos; visito os enfermos e inválidos; faça cultos na cadeia e na penitenciária; escrevo; presto conta de minhas atividades para um grupo de líderes que me ajudam e presto contas ao meu pastor presidente; e muitas outras coisas – um pastor trabalha muito!

Como são os cargos hierárquicos na Assembléia de Deus?
A nossa igreja não enfatiza muito os títulos, cada membro é enfatizado a ser sacerdote, ser profeta e trabalhar de uma maneira ou outra para expansão do que chamamos Reino de Deus na face da terra. Não há uma ênfase no clericalismo; o leigo é motivado e livre para trabalhar para Jesus. Isso foi o que Lutero pregou na sua doutrina do “Sacerdócio Universal de todos os crentes”. Mas por uma questão funcional temos uma hierarquia sim.

E como são as funções ou cargos dessa hierarquia?
Alguém que freqüenta os cultos e ainda não se batizou nas águas chamamos de “congregado”; depois que se batiza é um “membro”, depois se começa a trabalhar auxiliando direta ou indiretamente na liturgia é separado para a função de “cooperador”; depois vem o “diácono” (que é o obreiro para trabalho de natureza mais material, físico ou social); adiante vem o “presbítero” (que é o obreiro para trabalho de natureza mais ligado à exposição da Palavra); em seguida vem o evangelista (que nesse caso passa a ser vinculado a uma convenção estadual); depois vem o pastor; e a frente o pastor presidente (que é o líder de um campo eclesiástico).

Pesquisa da História de Vida do Pr. Robson realizada pelo Prof. João Fernandes de Barros durante o Curso de Pós-Graduação em Sociologia pela UEM – Universidade Estadual de Maringá, realizada no ano de 2004, quando o Pr. Robson era o pastor da Assembléia de Deus em Sarandi.